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Notícias boas e ruins após o acordo de paz.

Algumas informações e correções sobre o acordo de paz assinado ontem: 

Não foram todas as organizações rebeldes que assinaram, mas sim uma delas. Facções do Sudan Liberation Army, que é a principal, assinaram, mas outra facção desse grupo e os líderes de outro, o Justice and Equality Movement, não assinaram o acordo.  

Há o medo de que os líderes que assinaram o acordo tenham o feito apenas por pressão das nações ocidentais, e de que o governo sudanês tenha aceitado por causa da perspectiva de que, com duas organizações rebeldes sem participar do acordo, a violência na região continue. 

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No entanto, o governo finalmente concordou com a entrada de tropas da ONU no país. (Ele havia proibido até o retorno do chefe de missão da ONU, Jan Egeland, que já voltou a Darfur e agora visita os campos de refugiados.) Agora, exércitos internacionais das Nações Unidas estão autorizados a entrar no país para ajudar as tropas da União Africana a manter a ordem na região. 

O maior problema continua sendo quando a ONU vai finalmente intervir com tropas. No momento, há 7 mil tropas da União Africana que não dão conta dos conflitos e precisam urgentemente de ajuda externa. Nesse artigo, um general canadense, Dellaire, disse que mesmo que o Conselho de Segurança resolva intervir, as tropas só devem chegar a região, o mais cedo, em Setembro. 

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Uma funcionária da UNICEF foi ferida no país vizinho, Chad, onde aproximadamente 200 mil pessoas já se refugiaram. Ela foi levada para a capital do país, onde oficiais disseram que ela está em condições sérias. 
Nos últimos meses, ataques rebeldes e de ladrões fizeram um quarto dos voluntários saírem da região, por causa da falta de segurança. 

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Um artigo do Reuters mostrou a opinião de refugiados do campo Gaga, no país vizinho ao Sudão, Chad, em relação ao acordo de paz. Vou traduzir alguns: 

"Eu sou a favor da paz, mas o acordo deve ser realista ou nós acabaremos de volta em casa enfrentando a mesma violência que fez com que fugíssemos em primeiro lugar." disse Adam Dingila, um líder comunitário, que perdeu 15 membros de sua família no conflito. 

"Todos os três grupos têm que assinar o acordo para que eu aceite. Só assim estarei convencido de que é um acordo real para o povo de Darfur. Eu gostaria de ir para casa em 2006, mas duvido que isso aconteça." falou Ismael Haron, de 37 anos. 

"Não é somente um acordo de paz que nós precisamos. Como refugiados, temos nossos próprios problemas. Nós tivemos nossos animais e pertences roubados, nossas casas queimadas, nós precisamos se reembolsados." falou Ali Yaya Omar, de 48 anos. 

"Que garantia de segurança temos se nós voltarmos agora? Eu quero ver forças na ONU no chão para nos protegermos antes de voltar." disse Abdelrahman Yaya, de 30 anos.

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