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1. Sobre o genocídio.

Genocídio na região de Darfur, no Sudão.

 

No ano de 2003, à sombra da guerra no Iraque, começava no país africano do Sudão um conflito que resultaria no primeiro genocídio do século 21. Mais de dois anos depois, mais de 400 mil pessoas já morreram, e 2.5 milhões vivem refugiadas em condições sub-humanas.

 


Breve história do início do genocídio.


Guerra Civil entre o Norte e Sul.

 

O Sudão é um país assolado pela guerra civil há meio século. Desde que conseguiu sua independência completa da Grã-Bretanha e do Egito, em 1956, conflitos armados entre o Norte do país, de maioria árabe e muçulmana, e o Sul cristão resultaram em um total de 4 milhões de mortes, deixando o sul do país devastado.

 

Em 1989 entrou em poder, após uma eleição democrática, o chamado governo de Cartum (Khartoum - a capital do país), formado pela Fronte Nacional Islâmica (NIF). No ano em que assumiu, abortou um dos mais promissores processos de paz desde a independência do país. Apenas em 2004 o governo americano conseguiu com que as negociações para a assinatura de um tratado de paz chegassem na reta final.

 

Ao mesmo tempo que tal tratado era negociado, acontecia a matança na região oeste do Sudão, Darfur.

 

A região de Darfur.

 

Darfur é uma região de área equivalente à França, onde vivem principalmente duas etnias. Os Árabes – nômades – e os Africanos – que vivem em tribos fixas. Os Africanos, apesar de serem maioria, sempre sofreram exclusão social e marginalização, além de ataques dos Árabes, que constantemente acabavam impunes pelo governo também árabe de Cartum.

 

Quando a situação tornou-se crítica, uma revolta de rebeldes africanos ocorreu na região, obtendo sucesso contra as forças militares do governo sudanês.

 

Porém, esse sucesso teve uma terrível conseqüência, quando o governo deixou de utilizar-se de uma estratégia militar para começar uma política de destruição das tribos africanas da região. Começava o genocídio em Darfur.

 

O genocído começa.

 

O governo armou e organizou a Janjaweed, uma milícia árabe de talvez 20 mil membros, que em 2003 começou a matar homens, estuprar mulheres, destruir os meios de produção agrícola, queimar vilarejos e  envenenar fontes de água na região.

 

Enquanto isso acontecia, era negociado a assinatura do tratado de paz entre o sul e o norte do país. O governo americano sabia que pressionar o governo sudanês por causa de Darfur poderia acabar com as chances do tratado ser assinado, já que a Fronte Nacional Islâmica não admitia a responsabilidade pelo genocídio. O governo de Cartum, percebendo isso, prolongou as negociações ao máximo, assinando o tratado apenas em maio de 2004.

 

A essa data, a destruição em Darfur já havia sido imensa, e a população já estava condenada. Os conflitos armados diminuíram, mas as mortes por subnutrição, doenças e fome aumentaram.

 

Dois anos depois, 400 mil pessoas morreram, por meio da violência da milícia Janjaweed e das conseqüências dos ataques. 2.5 milhões vivem refugiadas, com a ajuda de organizações humanitárias. 

 

Números mostram que, ao longo do tempo em que aconteceu, 6 mil pessoas foram vítimas por mês, trazendo um total de 100 mortos por dia ao longo dos 29 meses de genocídio.

 






Resposta internacional e trabalho humanitário.

 

A responsabilidade de controlar o conflito está nas mãos da fraca União Africana, que não possui as tropas nem o equipamento para resolver os problemas da região. A ONU mantém uma missão no Sudão, que também não é suficiente para conter o genocídio.

 

Em 2004, o governo Bush fez dos EUA o único país a reconhecer que genocídio estava ocorrendo em Darfur, mas pouco fez para controlar os conflitos. 

 

Inúmeras agências humanitárias realizam trabalhos na região, mas mesmo isso pode estar condenado. A insegurança e a oposição do governo às operações humanitárias poderão resultar na saída de tais organizações. Se isso ocorrer de fato, a ONU estima que o número de mortos por mês aumente de 6 mil para 100 mil.

 

Os campos de refugiados apresentam condições sub-humanas e o abastecimento de alimentos é cada vez menor. O Programa de Alimentação da ONU (World Food Programme) anunciou em Abril que cortará as doações pela metade, por motivos financeiros. 

 

A tendência é piorar.

 

Se nada for feito em breve, o número de mortos deve aumentar excessivamente.

 

Quase três anos de conflitos e destruição deixou a região vulnerável e devastada, impossibilitada de manter-se sem a ajuda das organizações humanitárias que lá realizam trabalho heróico em meio à péssimas condições.

 

Se essas organizações forem forçadas a deixar a região, começará uma perda de vidas massiva, estimada em mais de 100 mil pessoas por mês.

 

E qual é a solução?

 

Uma ação militar internacional para controlar os conflitos. É a hora das nações mais poderosas do mundo, através do Conselho de Segurança da ONU, formarem uma coalizão para acabar com a ação da milícia Janjaweed.

 

E, é claro, intensificar o trabalho das agências humanitárias em atuação no país, dando-lhes mais recursos e segurança.

 

 

E a imprensa?

 

Para os meios de comunicação, aparentemente o primeiro genocídio do século 21 não é material a ser noticiado. Pouco foi falado sobre os conflitos e as conseqüências dele ao longo dos quase três anos em que eles ocorreram. O site Be a Witness  mantém uma tabela da quantidade de vezes em que o genocídio foi noticiado na televisão americana, e ela mostra claramente a ignorância consciente tomada pelos canais televisivos do país.

 

No Brasil, não é diferente. Basta perguntar para alguém sobre o fato, que a reação será provavelmente de confusão. Esse site tem como objetivo principal informar, como primeiro passo para que atitudes sejam tomadas. 

 

 

O Brasil pode fazer algo?

 

É certo que os países com mais condições de tomarem atitudes em prol da população de Darfur são os mais ricos, e mais atuantes e poderosos na ONU.

 

Em relação a isso, vale lembrar que há inúmeras campanhas, principalmente nos EUA, para ajudar a região e pressionar o governo a tomar uma atitude. Esse site também pretende agrupar todas das quais podemos participar, à distância.

 

Além do mais, genocídio é um crime internacional, e é absurdo que fiquemos totalmente alheios a tais acontecimentos, independente do país onde vivemos. O povo brasileiro tem o direito de saber do que acontece, através dos meios de comunicação. E enquanto estes não se dão ao trabalho de noticiar esse acontecimento, a única maneira de fazê-lo é utilizando a internet. 

 

Há outro aspecto: O Brasil deseja tanto uma vaga no Conselho de Segurança da ONU, que não deveria ignorar a situação em Darfur, se quisesse ser notado. Com o tempo, nós procuraremos maneiras de pressionar também o governo brasileiro a fazer algo. O objetivo principal, no entanto, seria a maior atenção dada pela imprensa ao genocídio, para que o povo brasileiro esteja ao menos informado do que acontece.

 

 

 

Tags: história do genocídio
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